Peste suína avança em países asiáticos e exportações brasileiras disparam


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A crise que a China enfrenta por força da peste suína africana não dá sinais de arrefecimento. Pelo contrário, as últimas notícias dão conta que a doença segue avançando por outros países: Hong Kong, Vietnã e, mais recentemente, Camboja. O temor é que em breve alcance a Tailândia.

 

Fatal em 90% dos casos, a peste suína se espalha de diversas maneiras: porcos a contraem uns dos outros, como também de alimentos, superfícies contaminadas e carrapatos. Ela foi descoberta em agosto do ano passado, mas especialistas acreditam que a notificação demorou a acontecer.

 

Segundo a The Economist, a China não é muito transparente em se tratando de epidemias – sejam elas animais ou humanas. Os pecuaristas do país, muitos de pequeno porte, têm pouco incentivo para reportar surtos; embora tenham direito a compensações por perdas, temem não recebê-las dos governos locais. Estes, por sua vez, evitam avisar seus superiores, pois medidas onerosas de controle de doenças, assim como a compensação a produtores, significaria redirecionar recursos de outros projetos.

 

“As autoridades dizem que estão fazendo tudo o que podem, mas elas estão sempre um passo atrás”, afirmou um especialista em agricultura à revista. Um exemplo: desde que descobriu o surto, o Vietnã sacrificou 2,5 milhões de animais; a China, nem metade disso – embora tenha uma produção 20 vezes maior.

 

Até a eclosão da epidemia, o gigante asiático vinha implementando uma forte política de autossuficiência na produção de alimentos. No ano passado, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês), produziu mais de 56 milhões de toneladas de carne suína – de longe, o maior produtor. Em contrapartida, consumiu 57,25 milhões de toneladas, o que o torna, também com significativa margem, o maior consumidor do alimento.

 

Mudanças de paradigma

 

Como se pode ver, e dada a dimensão do mercado chinês, trata-se de uma crise que afeta todo o mundo. É consenso que o setor na China demorará a se reerguer e que, quando o fizer, provavelmente terá um perfil diferente, com fazendas maiores e operações mais seguras e eficientes.

 

“Este é um momento incomum, talvez sem precedentes, para a indústria de proteínas”, disse Noel White, CEO da Tyson Foods em conferência. “Nos meus 39 anos de atividade, nunca vi um evento que tivesse o potencial de mudar a produção global de proteínas e os padrões de consumo como acontece com a peste suína”.

 

Por ora, toda essa agitação está impulsionando as exportações brasileiras. O preço da tonelada de carne suína embarcada em junho disparou: foi a US$ 3.350, ante média de US$ 2.260 em maio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior – alta de 72%. Em grande medida, isso se deve às exportações para a China, que devem crescer 65% na comparação com 2018.

 

“A fatia da participação chinesa nas nossas exportações é a maior já registrada”, disse Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal.

 

ANUTEC BRAZIL é o principal palco de negócios para o setor de proteína animal

 

A ANUTEC BRAZIL, Feira Internacional do Setor de Carnes e Proteína Animal, vai reunir os principais fornecedores de processamento, embalagens, refrigeração, segurança alimentar, ingredientes e serviços para o setor, de 26 a 28 de maio de 2020, em Curitiba. São esperados mais de 4 mil compradores qualificados do Brasil e do mundo – 77% dos visitantes participam/definem no processo de compra. Grandes players como Bettcher, Handtmann, Tecmaes, Multivac e Polyclip, entre outros, já confirmaram sua presença na próxima edição do evento.

 


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